Vamos descrever agora o processo de corte da carenagem do kit.
Como foi o caso da Jordan 197, o processo requer muita paciência e extremo cuidado para não se machucar. O primeiro passo é procurar referências para o corte. Elas foram encontradas no anuário de Fórmula 1 do autor Francisco Santos, do ano de 1997, conforme pode ser visto na figura abaixo.
Não vou reproduzir todos os cortes da carenagem original, pois pode ficar difícil para encaixar depois de finalizado o kit. A intenção, como comentado em post anterior, é que o motor fique aparente.
Como muita calma nesta hora é necessário, nada como uma bela vista e uma boa bebida...
A figura abaixo mostra um close da carenagem, que já possui em relevo as linhas que vou fazer no corte.
A seguir, uma outra imagem da carenagem, mas virada ao contrário. Nota-se que as linhas de corte estão em relevo apenas na parte externa.
Depois de muuuuito tempo, tem-se o resultado mostrado na figura abaixo. É uma etapa intermediária. A técnica consiste em ir "riscando" com o estilete repetidas vezes sobre as linhas de corte.
A seguir o corte quase finalizado.
Na figura a seguir, finalmente o corte realizado. Não acabei tudo em um mesmo dia. Foram dois dias. Cerca de duas horas (e duas latinhas...) no total.
Note que não consegui evitar riscos onde eles não eram necessários. O tratamento então é lixar as regiões de corte e aplicar massa nos riscos, se eles forem realmente profundos. Se não, a própria tinta vai fazer eles desaparecerem.
O kit da Revell em escala 1:24 é um kit antigo. É o tipo de coisa que hoje só se pode comprar através de sistemas como o Mercadolivre, ebay, olx e afins. Normalmente de pessoas que adquiriram o kit há anos e, por um motivo ou outro, não o montaram. É um exemplo da utilidade destes sistemas para a economia.
A foto abaixo mostra uma imagem da caixa aberta do kit.
Notem que as árvores com as peças para a montagem são todas na cor azul. Isto facilita a pintura das partes do modelo em azul, mas dificulta um pouco as outras, como o branco.
Algumas partes do manual com instruções de montagem são mostradas nas figuras a seguir.
A primeira figura tem a descrição das árvores e da primeira parte da montagem.
A segunda e a terceira figuras tem a descrição da segunda parte da montagem e as instruções para o posicionamento dos decais. Podem ser colocados os decais dos dois pilotos, Villeneuve e Frentzen.
As figuras a seguir mostram imagens detalhadas de cada uma das árvores e da folha de decais.
Tive experiências muito boas com os decais da Revell na montagem do kit da Jordan 197. Acredito que com estes será semelhante!
Note que os pneus têm um alto relevo com o nome do fabricante. Dá vontade até de tentar algo diferente ao invés da aplicação dos decais. Vamos ver...
Um aspecto a salientar com relação a este kit é que ele vem com o motor para ser montado, mas a carenagem do carro é inteiriça, conforme a figura a seguir.
Então, se quisermos ver o motor após a montagem, é necessário cortar a mesma, em uma espécie de intervenção cirúrgica com o estilete. Já fiz isso uma outra vez antes, na montagem do kit da Jordan 197. Tenho alguns livros descrevendo a temporada de 1997 de fórmula 1 e em um deles há uma figura em vista explodida da Williams, como mostrado abaixo. Dá para ver como é o corte da carenagem na área do motor. A preparação para a realização deste corte é mostrada na figura abaixo. É respirar fundo, agir com tranquilidade e colocar a mão na massa. A descrição do processo será feita em outro post.
Vamos começar o mês de julho com a nossa tradicional montagem de férias!
Este ano, vamos montar a Williams fw 19, que correu na temporada de 1997 da fórmula 1. Mais especificamente, o kit Revell na escala 1/24, mostrado na figura abaixo, que retrata a versão no carro para o Grande Prêmio da França. Este modelo é importante para mim por dois motivos.
O primeiro é que eu estive presente no circuito de Magny Cours para esta corrida! Na época, eu fazia doutorado na França e aproveitei para assistir a corrida no bucólico circuito. Voltaremos a isso em outros posts.
O segundo é que este carro é o último projetado pelo Engenheiro Adrian Newey, responsável pelo projeto dos carros vencedores da equipe em 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 e 1996. Foi um dos períodos de maior dominação por uma equipe na fórmula 1. Acontece que Newey aceitou uma proposta da McLaren em 1996 e a aceitou. Ele foi, entretanto, o responsável por chefiar o projeto do carro para 1997.
Podemos pensar que uma equipe de tanto sucesso na fórmula 1 não sentiria tanto a perda de uma pessoa apenas em sua organização, que já naquela época contava com mais de duas centenas de pessoas, fora os parceiros técnicos. É aí que entra o fator humano do título do post... E isto é uma lição para qualquer empresa sobre o quanto pode ser importante uma pessoa extremamente capacitada em um posto chave.
E a Williams tinha consciência disso. No vídeo a seguir, temos uma reportagem da TV inglesa sobre o lançamento do carro. Exatamente no momento 1 minuto do vídeo, a repórter faz perguntas a um dos donos da equipe, o também engenheiro Patrick Head. Em determinado momento, ela comenta sobre a saída de Newey e em seguida Patrick Head começa a falar a respeito. É impressionante o semblante melancólico com o qual ele se refere ao fato... Ele explica que Newey era o líder da equipe na área, que ele leva crédito considerável no desenvolvimento do carro e que eles seriam capazes de notar já naquele ano (1997) como a equipe iria se comportar sem o Adrian, mas principalmente a partir do ano seguinte a equipe iria ver se continuaria forte sem ele. A repórter comenta que ele não parece preocupado e ele, pela linguagem corporal mostra claramente que sim, está preocupado.
Bom, vale a pena comentar que a Williams ganhou o campeonato de 1997, mas no limite, com muita dificuldade. Nos três anos seguintes não conseguiu ganhar nenhuma corrida sequer! E a Mclaren deu um salto de performance a partir de 1998 (ganhando o campeonato em 1998 e 1999), com o primeiro carro desenvolvido sobre a chefia de Adrian.
Acho esta história tocante e emblemática por vários aspectos. O maior deles é o fato de que as empresas de sucesso valorizam e sabem a importância das pessoas, além dos métodos de trabalho, pura e simplesmente, na organização. E esta entrevista de Patrick Head mostra o quanto a Williams tinha consciência de que uma pessoa pode sim, fazer a diferença, dentro de qualquer empresa.
Falaremos mais sobre o kit nos posts seguintes.
Vamos lá!
A pedido dos meus alunos, estou postando o vídeo a seguir, de uma questão do Livro do Celso Livi, que muitos estudantes estavam tentando resolver.
A solução é bem simples do ponto de vista matemático. Entretanto, a dificuldade é, como sempre, em juntar os conhecimentos que cada pessoa tem para formar a solução. Mas com persistência se consegue tudo.
O vídeo está em alta definição. Basta escolher esta opção de visualização no Youtube.
Concluímos a montagem da Peugeot 905!
Fiquei muito feliz com a conclusão desta montagem. Os motivos foram vários, mas um dos mais significativos é que esta miniatura da Heller tinha uma reputação de não ser de boa qualidade e difícil de montar.
Após ter terminado a tarefa, posso afirmar que esta reputação não é justa. Concordo que algumas etapas da montagem, em especial de partes da suspensão e do motor, não são muito claras no manual.
Entretanto, esta foi a única dificuldade prática que encontrei.
É um carro que fez história no automobilismo mundial e que é muito bonito.
Obrigado pelo apoio recebido por vocês principalmente no Facebook.
Valeu!
Seguem as fotos da miniatura finalizada (clique nas fotos para ampliar).
Os decais fazem uma diferença muito grande no aspecto do carro. A aplicação de decais deve ser feita com bastante calma e planejamento, pois eles podem se danificar se o processo não for feito com cuidado.
Como sempre, usei cera líquida Poliflor incolor como aplicador de decais e como proteção da pintura de uma maneira geral.
Neste modelo, um dos decais que mais conferem personalidade ao mesmo é aquele que tem a inscrição "Peugeot 905" no parabrisa.
A figura a seguir mostra o carro já com alguns decais aplicados, mas antes da aplicação do decal do parabrisa (clique para ampliar).
A figura a seguir mostra a preparação do decal, recortado da folha e imerso em água (clique para ampliar).
A seguir, o carro já com o decal aplicado no parabrisa (clique para ampliar). Legal, não é?
Uma das partes mais críticas da montagem de um carro de corridas diz respeito aos aerofólios. Em um post anterior, nós comentamos sobre como o alinhamento na montagem de cada uma das lâminas dos mesmos é importante.
Igualmente importante é a montagem dos mesmos na carroceria. É um trabalho que exige uma certa paciência. Se eles ficarem desalinhados, isto influencia muito na aparência do carro.
Desta vez, apliquei a cola e usei a própria caixa do modelo como base de apoio para a secagem, procurando alinhar o máximo possível o aerofólio com a carroceria, tanto no plano horizontal quanto no vertical, para então deixar secando.
O processo está ilustrado na foto abaixo.
Gostei do resultado final, mas deu um certo trabalho para obtê-lo. Vou usar um procedimento semelhante em outras situações onde isto for necessário.
Neste momento é uma boa hora para fazer testes de posicionamento das rodas e dos aerofólios dianteiro e traseiro.
Estes testes são feitos sem usar cola, e são necessários para verificar se não está nada fora do posicionamento. E eles se mostraram fundamentais. Eu havia montado ao contrário as duas entradas de ar para o sistema de freios indicadas com setas na figura a seguir (clique para ampliar). Percebi isso ao posicionar a carenagem do motor e notar que ela não encaixava de jeito nenhum com a carenagem dianteira .
A solução foi, com muito cuidado, desmontar a peça, dando pequenas puxadas oscilatórias na mesma. Aconteceu que depois de um certo, tempo, ambas descolaram e eu montei na posição correta.
A foto abaixo mostra o teste visto de outro ângulo e a seguinte o teste com a carenagem.
É possível notar que todos os elementos mecânicos estão concentrados no espaço entre as rodas do carro. Isso coloca o centro de gravidade perto do meio do conjunto, contribuindo para o comportamento neutro em termos de estabilidade.
Note que o carro está tomando forma agora, não é mesmo?
A hora da montagem dos aerofólios é um momento crítico do kit. Isto acontece porque as asas e as lâminas laterais devem estar o mais alinhadas possíveis. Esta aspecto acaba sendo muito importante para o visual do kit após a montagem.
Os aerofólios têm a função primordial de fornecer força descendente para que o carro fique com mais estabilidade, grudando mais no chão, de maneira inversa ao explicado neste post.
O Peugeot 905 tem uma particularidade em relação aos outros carros da sua categoria, pois ele tem dois aerofólios, um na traseira, e outro na dianteira do carro.
A figura abaixo mostra os dois aerofólios e a seguinte, mostra o grande aerofólio traseiro (clique para ampliar).
Note, na primeira foto, a estrutura de suporte do aerofólio traseiro. Ao mesmo tempo que ela deve ser resistente, para suportar as forças e momentos causadas pela pressão aerodinâmica, ela deve ser leve, daí o fato dos seus elementos serem vazados.
Também aproveitei este momento para fazer um teste de integração, do cockpit, do motor e dos braços de suspensão, sem colar nada ainda, como mostrado na figura a seguir.
A montagem do cockpit é um momento importante, pois ele será a base para a montagem do restante do carro.
Um detalhe interessante. Durante a pintura, uma camada de tinta se depositou em furos nos braços da suspensão, que serão elementos de conexão com outros componentes mais tarde. Com a ajuda de uma chave estrela muito pequena, foi necessário reabrir estes furos, como mostrado na figura a seguir
.
O cockpit serve de suporte para vários elementos importantes do carro. Dentre eles está o sistema de refrigeração.
O motor do carro precisa de um sistema de refrigeração para manter as temperaturas de serviço bastante robusto. Na figura a seguir, temos a indicação do duto esquerdo para captação de ar para o sistema de refrigeração. Este ar é dirigido para os radiadores, por onde circula um fluido de arrefecimento, que passou antes pelo motor (e foi esquentado por ele). Este fluido passa então pelos radiadores, mostrados na figura seguinte, onde é resfriado ao entrar em contato com o ar que passa pelos dutos.
É interessante notar a presença de um duto de ar que é direcionado para o interior da cabine, e cuja captação de ar não está visível, mas se dá pela parte da frente do carro. Este duto serve para refrigerar a cabine. Não é um ar condicionado, mas serve muito bem ao propósito de aliviar a temperatura no ambiente de trabalho do piloto.
Nossa atenção está agora voltada para o cockpit do carro.
O parabrisa e a porta foram pintados com o pincel, usando a máscara líquida descrita no posta anterior. A figura abaixo mostra os mesmos.
Na figura a seguir, verifica-se já o cockpit, já com os decais, montado, com o banco, que foi pintado de azul.
Este cockpit poderia ter sido bem mais detalhado, mais preferi usar as instruções padrão do fabricante do kit, até porque ele ficará na maior parte do tempo escondido por outros elementos do carro.
Esta pintura do banco em azul trata-se de uma liberdade na montagem. Ele poderia ser preto também, como é no caso das fotos que eu peguei como referência.
Note que o cockpit é composto por um banco, que fica à direita, e por um espaço, à esquerda. Este aspecto era exigido pelo regulamento, pois os carros teriam que ter espaço para pelo menos duas pessoas.
O fato do banco estar à direita faz com que o volante do carro também fique à direita. Isto acontece porque, nas 24 horas de Le Mans, a maior parte das curvas ser feita para o lado direito. Esta configuração do volante facilita a visibilidade para o interior das curvas.
Este espaço era usado durante as corridas para levar componentes da parte eletrônica do carro. Mas é possível instalar lá um banco adicional.
O vídeo a seguir é muito interessante, pois foi instalado justamente um banco, que foi usado por um repórter, Pierre Fauconnier, levado para dar uma volta no carro, no circuito de Paul Ricard.
Para quem gosta ou estuda Francês, é uma engraçada oportunidade de treinar. Para quem não conhece o idioma, não tem problema, pois o vídeo é engraçado de qualquer maneira, pelas reações do repórter.
O motor da Peugeot 905 é o mesmo motor V-10 da Jordan 197 montada recentemente aqui no blog.
Na realidade, o regulamento da Fórmula 1 foi feito sob medida, em 1989, para atrair os fabricantes que participavam do campeonato mundial de Esportes Protótipo na época. Dentre estes fabricantes, podem ser citados Mercedes, Jaguar, Toyota e Peugeot.
A montagem do motor pode ser acompanhada pelas fotos abaixo.
Como o motor tem função estrutural, é necessário também nesta parte da montagem colocar os braços da suspensão traseira, juntamente com os seus suportes.
Também foram montados os discos e pastilhas de freio, conforme mostrado na figura abaixo.
É possível notar pelas fotos que a caixa de câmbio, que se localiza logo depois do motor, é montada na posição longitudinal, ou seja, alinhada com o eixo do motor e do carro. Isto diminui sensivelmente a complexidade do sistema, mas torna o mesmo mais longo.
A aplicação de máscaras é um dos aspectos mais importantes quando da pintura dos modelos.
Em linhas gerais, aplicar uma máscara corresponde a esconder uma parte do modelo para pintar a área que ficará descoberta. Com isso, é possível reproduzir muitos padrões de pinturas normalmente observadas nos carros.
No caso desta montagem, dois tipos de estratégias foram usadas para as máscaras. A primeira é o uso de fita adesiva para cobrir as áreas, conforme pode ser mostrado nas figuras abaixo (clique para ampliar). A fita que usei é fabricada pela Tamiya, e a comprei em uma loja online de modelismo. Primeiramente, as áreas mostradas foram pintadas de branco e depois mascaradas, para receber a tinha preta, como mostrado na primeira e na segunda fotos. A terceira e a quarta fotos mostram o resultado. Note que serão necessários alguns retoques, pois, especialmente nas áreas curvas, a máscara não funcionou 100%.
A segunda técnica é o uso de máscara líquida. A Acrilex produz uma máscara deste tipo que pode ser encontrada nas lojas de artesanato. Eu vi na internet uma receita caseira que é feita com uma mistura de 50% de cola branca e 50% de detergente líquido (lava-louças). Eu usei esta mistura na área próxima do cockpit, como mostrado na figura abaixo, onde ela está sendo retirada, após a aplicação da tinta preta da cobertura do painel. Eu apliquei a mesma com um palitinho de dente.
As duas técnicas tem os seus prós e contras, mas podem ser usadas onde você achar mais confortável. Usar a fita é mais prático quando os limites são retos, e a máscara líquida é mais prática quando os limites são curvos, pois é difícil conseguir o isolamento necessário, já que a fita é plana.